Neste espaço pode-se escrever as experiências boas e ruins, é uma forma de passar para os outros nossas dificuldades ao trabalharmos em um país que as Leis e Decretos ficam apenas no papel. Quando criei este blog queria tão somente desabafar a frustração de ver tantos alunos aqui em Goiânia sem intérprete de libras, provocado pelo descaso do governo, mas depois percebi que poderia fazer mais, então comecei a postar textos de pessoas que nem conheço e gostei de ter lido. Achei que compartilhando esse material estaria ajundando outras pessoas em suas pesquisas, o que eu não pensei é que teria tanto acesso em tão pouco tempo, visto que meu blog foi criado em abril de 2011. Gostaria de agradecer a todos que têm acessado este blog, e espero ter ajudado e contribuido com alguma coisa. Se você tiver um texto que possa me enviar eu o postarei, assim estará me ajudando também.(regisneia@gmail.com)

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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

PROLIBRAS/ PLANOS DE AULA PREPARATÓRIO 2ª PARTE

Imagem Google trabalho em equipe bonequinhos carregando uma chave
É importante pensar e repensar as diferenças culturais, as quais levam o ser humano a se descobrir como indivíduo, se constituindo em sua própria identidade, dentro de sua própria cultura. Ao que parece, a constituição da identidade pelo surdo não está necessariamente relacionada à língua de sinais, mas sim à presença de uma língua que lhes dê a possibilidade de constituir-se no mundo como "falante", ou seja, à constituição de sua própria subjetividade pela linguagem e às implicações dessa 'constituição' nas relações sociais. Em suma dificilmente se pode falar em identidade surda. A constituição da identidade do sujeito está relacionada às práticas sociais, e não a uma língua determinada, e às interações discursivas diferenciadas no decorrer de sua vida: na família, na escola, no trabalho, nos cursos que faz com os amigos. O reconhecimento dessa realidade seria o aprofundamento das discussões sobre a identidade, no campo da surdez, na qual se procura estabelecer 'norma' com relação ao que é teoricamente chamado de identidade, e exigir que a as análises correspondam a ela. Ou seja, uma norma de identidade, a identidade do surdo, e uma norma cultural correspondente, a cultura surda (CAS, 2010: 05, 06, 07).
No ano passado eu fiz um curso preparatório para poder fazer a prova do Prolibras, esse curso contou com a iniciativa dos alunos de Letras-libras (UFSC) e da professora Núbia Guimarães, lembro-me que muitos alunos da turma em que eu cursava o Intérprete de Libras II, não fizeram esse curso por não terem condições financeiras e, até mesmo eu tive dificuldade para pagá-lo e só Deus sabe as privações por quais passei para fazê-lo. Como estou a par de que neste semestre outro Prolibras se realizará, resolvi postar o restante das aulas que elaboramos. Antes devo dar uma pincelada nos estudos sobre a história do surdo e sobre algumas leis que norteiam a Libras, além de lembrá-los como deve proceder o  profissional intérprete de libras. Como não posso ficar postando aqui tudo que foi apostilado para nós naquele momento eu recorrerei aos livros: Estudos Surdos I, II, III, IV, O tradutor e intérprete de língua de sinais e língua portuguesa, Situando as diferenças implicadas na educação de surdos: inclusão/exclusão, Livro ilustrado de língua de sinais, A criança surda, Congresso Nacional e apostilas do Centro de Capacitação dos Profissionais de Educação e de Atendimento às Pessoas com Surdez (CAS), para quem não mora em Goiás: trata-se de um local onde podemos cursar Libras gratuitamente. Logo em seguida postarei os planos de aula lembrando aos cursistas que não se esqueçam de irem com uma blusa escura de preferência preta e a meninas de prenderem seus cabelos, não usarem brincos que chamem atenção ou piercing no nariz ou em qualquer lugar no rosto, nem irem maquiadas de mais, apenas uma base e batom cor de boca, tá bom. Não retirar os fios de cabelo que estão incomodando enquanto estão fazendo a apresentação, pois podem interpretar como um sinal e, por favor, meninas não vão de roupas curtas ou decotadas isso pode contribuir para a distração de algum curioso e diminuir suas pontuações. Lembrem-se todos: da expressão facial/corporal respeitando seu quadrado demarcado, isto é muito importante. Não se esqueçam de cumprimentar a banca e seus alunos fictícios. Sintetizem sua história: o porquê de se tornar intérprete? Conte algo engraçado, eles gostam desse tipo de descontração, assim sentem que você está dominando o assunto e transparece calma de sua parte. Tudo que você tirar do lugar deve ser recolocado, nunca se esqueçam de depositar o giz, o cartaz, fotos e quaisquer objetos que serão utilizados, sabendo que tudo isso será fruto de sua imaginação, ajam como se estivessem em sala de aula, não façam rápido de mais e nem lento de mais, treinem em casa com uma filmadora e delimite seu tempo, esse tempo cronometrado está contando com: sua história, a piada e sua apresentação. Façam os dois papeis de aluno e professor, utilizando bem o processo anafórico, quer dizer: quando você troca sua postura corporal e incorpora outros personagens diferentes. Levem apenas sua Ementa, nada mais. Se você levar cartazes como irá apresentá-los? Lá não tem mesa e se os puser no chão quando se abaixarem para pegá-los sairá do foco, então tenha tudo em sua mente, seu material está em sua criatividade imaginativa se precisarem acessem a primeira parte desta postagem que saiu no dia 1º de maio de 2011, com o título de: Plano de aula Prolibras no mais: Boa sorte para todos! 
Educação de Surdos
A educação, enquanto ciência precisa investigar o significado desses discursos e suas consequências no contexto educacional. Caso contrário, interpretações tendenciosas poderão apagar a luta histórica de vários grupos sociais que vêm resistindo à subserviência ideológica de dominação (SILVA, 2006: 15) Episódios de surdos, filhos de pais ricos e nobres que queriam garantir a educação de seus filhos para que estes pudessem cuidar de seus bens tiveram como professor o monge beneditino Pedro Ponce de Leon (1510-1584), lembrando que os surdos que não tinham condições de pagar por esse serviço não se enquadravam nesse processo histórico. Segundo Soares: Girolamo Cardano (1501-1576), reconheceu publicamente que os surdos possuíam habilidades em raciocinar, visto que, entendia-se que a escrita poderia representar os sons da fala ou ideias do pensamento, portanto a surdez não seria um obstáculo (SILVA, 2006 apud 1999: 17).  Ao estudarmos essa história temos que nos lembrar que essa transformação na educação dos surdos ocorreu na França, no século XVIII, e que naquela época levantes eram formados: por pequenos burgueses, apoiados por camponeses e artesões, estes não admitiam mais benesses feudais e lutavam para uma mudança política na sociedade francesa, justamente nesse período caótico os surdos eram tachados de vagabundos, sendo que eles viviam nas ruas de Paris, mas um ouvinte chamado abade L'Epée, trás uma nova perspectiva para mudar esse quadro. 
Enquanto andava pelas ruas parisienses ele pode observar os grupos de surdos que ali estavam e percebeu que eles se comunicavam de alguma forma, ou seja, através de gestos/mímicas, então L'Epée percebeu que eles poderiam estudar e trabalhar,  surgindo assim a primeira Escola Pública para Surdos em 1760. Apesar de os interesses da burguesia prevalecer os surdos faziam parte do Terceiro Estado, poderiam trabalhar como artesões e camponeses, o que seria de grande ajuda para esse processo revolucionário, mão de obra barata ou de graça, enquanto a burguesia solidificava seus interesses, logo esses trabalhadores seriam transferidos para as indústrias, tendo a participação ativa no novo processo que nascia: o Capitalismo (SILVA, 2006).
A língua utilizada no processo educativo era a de sinais, os professores e os alunos dominavam essa língua e os objetivos da educação de surdos era o mesmo que o dos ouvintes: acesso a leitura. Skliar relata que, em 1850, a proporção de surdos professores de crianças surdas alcançava o índice de 50%. Que os alunos dominavam a língua de sinais francesa, o francês escrito, o latim e outra língua estrangeira, além da leitura e da escrita em três línguas (SILVA, 2006 apud 1997: 31). 
Na posição de trabalhadores, os surdos conseguem professores com boa qualificação para o Instituto de Surdos-Mudos em Copenhague, discutindo com os líderes da comunidade ouvintes, intervinham e propunha mudanças sociais principalmente no quesito educação para surdos. (SILVA, 2006). 
O Congresso de Milão, realizado no período de 06 a 11 de setembro de 1880, reuniu cento e oitenta e duas pessoas, na sua ampla maioria ouvintes, provenientes de países como Bélgica, França, Alemanha, Inglaterra, Itália, Suécia, Rússia, Estados Unidos e Canadá. O objetivo foi discutir a educação de surdos e analisar as vantagens e os inconvenientes do internato (...), nesse Congresso, que no momento da deliberação não se contava com a participação nem com a opinião da minoria interessada - os surdos -, um grupo impôs a superioridade da língua oral sobre a língua de sinais e decretou que a primeira deveria constituir o único objetivo do ensino (SILVA, 2006: 26).
Um importante defensor do Oralismo foi Alexander Graham Bell, o inventor do telefone, que exerceu grande influência no resultado. Não devemos deixar de mencionar que os professores surdos não tiveram direito ao voto (GOLDFELD, 1997).
Desde o século XVII até o Congresso de Milão, a crença no paradigma homem-máquina, engendrada pela ciência moderna, vai excluindo os surdos do processo educativo e transformando-os em deficientes (...), nesse processo de transferência de concepção - de trabalhador para deficiente -,o surdo perde o direito de vender a sua força de trabalho e passa a depender das habilidades e dos instrumentos do médico para curar alquilo que lhe falta: um dos sentidos mais importantes, na perspectiva dos ouvintes, a audição. Diante da concepção medicalizada da surdez, as escolas pouco a pouco são transformadas em salas de tratamento. As estratégias pedagógicas passam a ser estratégias terapêuticas (SILVA, 2006: 31, 33).
 Para alcançar seus objetivos, a filosofia oralista utiliza diversas metodologias de oralização: verbo-tonal, audiofonatória, aural, acupédico entre outros. A metodologia verbo-tonal foi criada seguindo os pressupostos do oralismo, no entanto, atualmente no Brasil grande parte dos centros de reabilitação ligados a esta metodologia  já aceitam e utilizam a língua de sinais. A metodologia audiofonatória, também conhecida como Perdoncini, é bastante utilizada no Brasil, possui maior material bibliográfico em português e é uma grande defensora do Oralismo. A maior parte das metodologias baseadas no Oralismo utiliza como embasamento teórico linguístico o Gerativismo de Noam Chomsky. As ideias do Oralismo persistiram e foram preponderantes até a década de sessenta. No entanto, apesar de todos os esforços de profissionais e dos avanços tecnológicos, a língua oral até o presente momento não pode ser adquirida pela criança surda espontaneamente (...), a partir daí surge uma nova filosofia educacional para surdos chamada Comunicação Total, e os surdos começam, pouco a pouco a utilizar sinais (...), de acordo com os pressupostos dessa filosofia, aconteceram várias tentativas de aproximação das duas línguas, criando línguas orais sinalizadas. Estas línguas utilizam o léxico da língua de sinais submetido à gramática da língua oral. No Brasil, além da LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais), a Comunicação Total utiliza ainda a datilologia, também chamada de alfabeto manual (representação manual das letras do alfabeto), o "cued-speech" (sinais manuais que representam os sons da língua portuguesa), o português sinalizado (língua artificial que utiliza o léxico da língua de sinais com a estrutura sintática do português e alguns sinais inventados, para representar estruturas gramaticais do português que não existem na língua de sinais e o pidgin (simplificação da gramática de duas línguas em contato, no caso, o português e a língua de sinais). Somente na década de oitenta que se começa a ter uma nova visão em relação ao surdo e a língua de sinais (GOLDFELD, 1997: 12, 13, 31, 37). 
O Bilinguismo é uma proposta de ensino usada por escolas que se propõem a tornar acessível à criança duas línguas no contexto escolar. É mais do que um uso de duas línguas, é uma filosofia educacional que implica em profundas mudanças em todo o sistema educacional para surdo. A educação bilíngue consiste, em primeiro lugar, na aquisição da língua de sinais, sua língua materna e na língua de seu país. Será oral? Será escrita? Estas são duas questões polêmicas, pois todos concordam que o desenvolvimento cognitivo, afetivo, sociocultural e acadêmico não depende necessariamente de audição (...), a língua de sinais propicia o desenvolvimento linguístico e cognitivo da criança surda, facilita o processo de aprendizagem, serve de apoio para a leitura e compreensão (CAS, 2010: 14).
O conceito mais importante que a filosofia Bilíngue traz é de que os surdos formam uma comunidade, com cultura e língua própria. A questão principal para o Bilinguismo é a Surdez e não a surdez, o seja os estudos se preocupam em entender o Surdo, suas particularidades, sua língua (a língua de sinais), sua cultura e a forma singular de pensar, agir etc., e não apenas os aspectos biológicos ligados a surdez (GOLDFELD, 1997: 39, 40).
Portanto, compreender a situação bilíngue dos surdos no Brasil exige, no mínimo, outros referenciais teóricos que não se situaram apenas no campo de aquisição de  uma segunda língua. Os surdos frequentemente afirmam que Língua Portuguesa, por ser de um sistema de representação diferente das Línguas de Sinais, não tem como ser a sua segunda língua. Para eles as outras línguas visuais-espaciais,  como, por exemplo, Língua Americana de Sinas, deve ser a sua segunda língua, além disso, propõem que os surdos devem aprender a Língua Portuguesa na modalidade escrita depois de aprenderem a escrita de Língua de Sinais Brasileira (SILVA, 2008: 88, 89).
A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação do Brasil (Lei nº 9394/96), prescreve que as crianças "portadoras de necessidades educativas especiais" devem ter sua escolaridade atendida, fundamentalmente, pela escola regular, de modo a promover sua integração/inclusão. Entretanto, são grandes a expectativas geradas na sociedade, na família, e por vezes até no próprio surdo sobre as condições da escola em ralação a esse processo. 
(...) parece que se superficializa a temática sobre o processo de integração/inclusão dos surdos na escola regular, quando se limita o que sejam as ações necessárias para sua integração/inclusão, ao fato de colocá-los fisicamente nas escolas regulares, optando por modelos pedagógicos que expressam a herança que a instituição, direta ou indiretamente, deixou para os educadores atuais - um modelo clínico, oralista (MACHADO, 2006: 39, 40, 41). 
Percebe-se, portanto, que um dos objetivos mais almejados pela política de educação especial é a inclusão, no sentido globalizado. Em que a especificidade ainda é relegada a um plano de assistência a não de garantia de acesso à educação por todos reconhecida as sua diferenças (...), as diferenças passam a fazer a diferença ao se refletir sobre a educação em cada contexto histórico/cultural nos diferentes espaços (QUADROS, 2003: 87).  
Quando tratamos do discurso de inclusão em educação, aplica-se a todas as facetas desta, abrangendo a educação infantil até o ensino superior, incluindo, neste discurso, o ensino de Jovens e Adultos (MARQUES, 2007: 137). 
Em Abril de 2002, o presidente Fernando Henrique Cardoso assinou a conhecida lei do intérprete (Lei Nº 10.436) que reconheceu como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), quando lemos essa lei percebemos que todos os indivíduos surdos têm como garantia a difusão da Língua Brasileira de Sinais e que todos os serviços públicos de assistência a saúde, deve adequar para poder atender esse público, e o sistema educacional federal, estadual e municipal deve garantir a inclusão nos cursos de formação de Educação Especial, de Fonoaudiologia e de Magistério, em seus níveis superiores, do ensino dessa Língua como parte integrante dos Parâmetros Curriculares Nacionais, sendo que a Libras não deve substituir a modalidade escrita. Como toda lei precisa ser regulamentada, foi o que aconteceu mais tarde com o Decreto de nº 5.626, em 22 de dezembro de 2005, com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ao assinar este Decreto regulamentou também o artigo 18 da Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000, que diz respeito à acessibilidade, segurança e autonomia dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos transportes e dos sistemas e meios de comunicação, por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida,  "Lula" também decretou e sancionou a Lei nº 12.319, de 1º de setembro de 2010,  que regulamenta o exercício da profissão de Tradutor e Intérprete de Libras (BRASIL, 2000, 2002, 2005, 2010).
Sabemos que toda mudança sugere uma quebra de valores preestabelecidos ao longo da história, uma nova visão de mundo, uma desconstrução de conceitos e preconceitos; por isso, quando falamos em um novo olhar ou em mudança de paradigmas devemos levar em consideração todos os aspectos que são imbricados neste processo de transformação, mutação e desconstrução (...), embora a Língua Brasileira de Sinais esteja oficializada, seu verdadeiro reconhecimento e sua aceitação enquanto língua por parte da sociedade em geral parece estar acontecendo a passos lentos, o que vem sendo um entrave para os avanços nas pesquisas, dificultando o acesso à informação, dados  bibliográficos  e referenciais teóricos (NICOLOSO; SILVA, 2008: 83,84).
A Língua Brasileira de Sinais é uma língua visual-espacial articulada através das mãos, das expressões faciais e do corpo (QUADROS, 2004: 19).
Para pensarmos em formação de intérpretes, precisamos estar atentos ao nível de participação da comunidade surda na sociedade, visto que, a comunidade surda estará mais ou menos envolvida na formação do profissional intérprete de Libras, o que implicaria diretamente em seu sucesso, e no que diz respeito ao novo sistema de inclusão na rede de ensino regular, cuja contratação desse professor será de grande importância para esse projeto ser bem sucedido dentro das salas de aula, em outros momentos vimos em vários artigos nesse mesmo blog que o professor regente encontra muita dificuldade para assumir os dois papeis, ou porque desconhecem a LIBRAS, ou não há tempo suficiente para poder se dedicar a todos os alunos com Necessidades Educacionais Especiais, necessitando não apenas do intérprete de Libras para auxiliá-lo, mas também de professores especializados em trabalhar com alunos portadores de deficiência seja ela física, mental ou apenas com dificuldade de aprendizagem. Lembrando que o intérprete educacional é aquele que atua como profissional intérprete de língua de sinais na educação, fazendo assim a interpretação voz-sinal, sinal-voz e que ele não deve ser confundido com professor regente, pois muitas são às vezes que os alunos pedem explicação para ele, ou o próprio professor delega responsabilidades de assumir o ensino dos conteúdos desenvolvidos e/ou é feita uma inversão de papeis ou ser solicitado por secretárias dou gestores para substituírem professores faltosos. Considerando tais questões, esclare-se que este profissional deve assumir apenas sua função de intérprete que em si já se basta (QUADROS, 2004: 51, 59, 61). 
 A Língua de Sinais é constituída por cinco parâmetros:
  1. Configuração das Mãos (CM): são formas das mãos, que podem ser da datilologia (alfabeto manual) ou outras formas feitas pela mão predominante (mão direita para destros e esquerda para os canhotos) no momento inicial do sinal. Alguns sinais também podem ser representados pelas duas mãos.
  2. Ponto de Articulação (PA): é o lugar onde incide a mão configurada para execução do sinal. O ponto de articulação pode ser alguma parte do corpo ou o sinal poderá ser realizado num espaço neutro vertical (ao lado do corpo) ou espaço neutro horizontal (na frente do corpo).
  3. Movimento (M): os sinais podem ter um movimento ou não. Movimento é a deslocação da mão no espaço na execução do sinal.
  4. Orientação (O): os sinais podem ter uma direção e a a inversão desta  pode significar ideia de oposição contrário ou concordância.
  5. Expressão facial e/ou corporal (EF/C): muitos sinais precisam de um complemento facial e até corporal para fazer com que sejam compreendidos. A expressão facial são as feições feitas pelo rosto para dar vida e entendimento ao sinal executado. Há sinais feitos somente com bochecha.
O intérprete precisa ter algumas qualidades:
  1.  Flexibilidade - o intérprete deverá poder adaptar-se às diferentes situações que lhe surgirem;
  2.  Objetividade - o intérprete deverá ter em conta que é um elo de ligação e não deverá envolver-se; pessoalmente na sua função;
  3. Autodisciplina - não é fácil controlar a eficiência e honestidade de um intérprete, assim ele próprio deverá conhecer e respeitar os seus próprios limites;
  4.  Atitude profissional - o intérprete deverá manter uma atitude correta, restringindo-se a exercer a sua função, bem como deverá ser responsável pelo seu próprio crescimento e pelo crescimento da profissão;
  5.  Pontualidade e senso de responsabilidade - é essencial que o intérprete seja pontual, pois só é útil se estiver presente no local à hora marcada. Em caso de impossibilidade ou doença deverá solicitar um substituto ou saber da possibilidade de andamento do ato de interpretação. 
É necessário que este profissional siga um Código de Ética assim como em todas as outras profissões: 
  1. Confidencialidade - o intérprete deverá guardar sigilo de tudo que interpretou inclusive dados, como datas, nomes, locais ou assuntos, que aparentemente possam não ter importância, podem ser suficientes para uma quebra de confidencialidade.
  2. Fiabilidade/Adaptabilidade - o intérprete deverá providenciar uma interpretação fiel, respeitando o conteúdo e espírito do orador, utilizando uma linguagem facilmente compreensível para as pessoas para quem está a interpretar.
  3. Imparcialidade - enquanto durar a sua função, o intérprete não deverá aconselhar ou orientar, mantendo uma atitude neutral e sem emitir opiniões e reações pessoais.
  4. Discrição - deverá usar de discrição na aceitação de trabalhos no que diz respeito à capacidade especiais da localização e pessoas que solicitam o serviço. O intérprete deverá evitar situações em que tenha de interpretar para membros da sua família, amigos ou colegas de trabalho, que possam de alguma forma afetar a sua imparcialidade. Quando necessário não havendo outro profissional para fazer a interpretação, as partes envolvidas deverão ser informadas de que o intérprete não poderá ser pessoalmente envolvido nos procedimentos.
  5. Remuneração - o intérprete deverá lidar com este assunto de uma forma profissional e judiciosa.
  6. Oportunidade - o intérprete não deverá tirar vantagem pessoal de qualquer informação de que tenha conhecimento durante o seu trabalho de interpretação.
  7. Integridade - através das associações nacionais  de intérpretes e surdos procuram defender a integridade e dignificação da sua profissão, encorajando o uso de intérpretes qualificados, de modo a que seja atingido um bom nível de qualidade, em concordância com o código de ética da profissão de intérprete.
  8. Atualização - o intérprete deverá desenvolver as suas capacidades de interpretação e manter-se a par das evoluções verificadas neste campo, participando de encontros profissionais, encontrando-se com colegas e partilhando experiências, lendo literatura informativa e participando em cursos de especialização que venham a ser efetuados.
  9. Crítica - sempre que haja críticas ao modo como o intérprete conduziu o seu trabalho, as mesmas devem ser feitas diretamente ao intérprete com conhecimento para o serviço ou órgão que o indicou.
    Imagem Google Libras Sinais
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Planos de Aula:
Conteúdo: Tipos de frases na Libras.
Ementa: As línguas de sinais utilizam as expressões faciais e corporais pra estabelecer tipos de frases.
Objetivo: Levar até os alunos o conhecimento dos diferentes tipos de frases dentro da Libras, que é marcado pelas expressões faciais e corporais.
Metodologia: Primeiramente explicar que as frases na língua portuguesa é marcada entonação e na Libras para estabelecer-se uma frase afirmativa, negativa, interrogativa, exclamativa e imperativa é necessário ficar atento as expressões faciais e corporais.
Vamos ver um exemplo:
Forma afirmativa expressão neutra.
Ex.: El@ chegou.
Forma negativa pode ser feita de 3 formas:
  1. Acréscimo do sinal "não". Ex.: Sair com você não.
  2. Com incorporação de movimento contrário. Ex.: Não quero sorvete.
  3. Com aceno de cabeça simultaneamente com ação que está sendo negado. Ex.: Amo el@ não.
Forma interrogativa: sobrancelhas franzidas e um ligeiro movimento da cabeça inclinando-se para cima.
Ex.: Você conhece el@?
Forma exclamativa: sobrancelhas levantadas e um ligeiro movimento de cabeça inclinando-se para baixo.
Ex.: El@ é muito lindo.
Forma imperativa: expressão facial séria de ordem.
Ex.: Você vai sair agora.
Recursos: Apenas meu corpo.
Avaliação: Cada aluno terá que exemplificar uma forma de frase, mostrando o entendimento do conteúdo.
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Ementa: Diferentes perspectivas, espaciais: longe, perto, próximo, distante.
Objetivo: Diálogo. Conhecer aprender sobre lugares de diferentes perspectivas.
Metodologia:
  1. Passo: Conversação informal.
  2. Passo: Apresentação da figura sobre longe, perto, próximo e distante, para que os alunos fixem no visual.
  3. Passo: Diálogo sobre longe e perto.
Recurso: Quadro, giz e datashow.
Avaliação: Através da observação para ver a participação de cada aluno.
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Conteúdos: Sinais: ainda não/acabado/pronto/faltar coisa.
Ementa: Os sinais precisam ser usados nos contextos certos, porque podem causar confusão na interpretação das frases.
Objetivo: Apresentar os diferentes sinais inseridos nos devidos contextos.
Metodologia: Explicar cada sinal, nos contextos corretos, através do teatro  e diálogo. 
Ex.: A comida já está pronta? 
Ainda não porque faltam coisas.
No mercado não tem sal, acabou.
Agora a comida está pronta, todos podem comer.
Recurso: Vídeos.
Avaliação: Será solicitado ao aluno que participe do diálogo e explique o que foi ensinado, mostrando que entendeu e aprendeu.
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Conteúdos: Qualificadores.
Ementa: Há diferentes formas para apresentar os qualificadores. Estas diferenças se fazem presentes tanto no português quanto na língua de sinais.
Objetivo: Apresentar aos alunos os qualificadores na Libras, trabalhando o contexto em que poderão ser utilizados.
Metodologia: Iniciar a aula diferenciando os sinais dos qualificadores facilitando a compreensão, dando exemplos através dos diálogos.
Exemplificar: 
  • Cardinais;
  • Ordinais;
  • Quantidade;
  • Medida;
  • Idade;
  • Dias da semana ou mês;
  • Horas, etc.
Recurso: Cartazes para fixar o visual e facilitar a compreensão.
Avaliação: Será questionado ao aluno sobre exemplos de qualificadores, verificando o conteúdo ensinado.
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Conteúdos: Datilologia.
Ementa: Datilologia surgiu no ano de 1526, no país Itália, para ajudar o surdo adquirir a linguagem escrita. Sabemos que estes aprendem de forma diferente, eles vivem o mundo visual-espacial e o ouvinte oral auditivo. Sendo que a datilologia veio para ajudar no aprendizado dos nomes de pessoas, animais ou até palavras que não possuem sinal. 
Objetivo: Facilitar o aprendizado e aquisição de linguagem.
Metodologia:
  • Apresentar a configuração de mão;
  • Relacionar o alfabeto de Libras com o de português;
  • Relacionar a datilologia com figuras (desenhos);
Recurso: Questionar os alunos pedindo exemplo de nome dos familiares, animais que eles têm em casa, cidade que conhece, nomes de objetos da sala de aula.
Avaliação: Escrita pedindo a relação entre as palavras e as figuras com a finalidade de reforçar o aprendizado.
 ***
Bem alunos do Prolibras, espero ter contribuído, e torço para que façam uma boa prova, esta pode ter sido minha última postagem sobre Libras e Surdos, espero poder adquirir novos livros sobre inclusão nas diversas áreas, para assim escrever sobre variados assuntos, se por a caso tiver alguém que queira me doar algum livro eu aceito, os livros são caros e as coisas não andam muito boas pra mim no quesito financeiro, acessem meu e-mail logo acima no cabeçalho do título que eu enviarei meu endereço. Desde já agradeço muito a todos que têm acessado meu blog, dessa forma ele tem atingido mais de cem acessos diários, é para alguns um número pequeno, mas para mim que não esperava nem isso me põem na lista de um dos Sete Pecados Capitais de Dante. Até mais.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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______. Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Estabelece normas e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências. Diário oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Legislativo, Brasília, DF, 19 de dezembro.  2000.

______. Decreto-lei n° 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Regulamenta a Lei n° 10.436, de 24 de abril de 2002, e o art. 18 da Lei n° 10.098, 19 de dezembro de 2000. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 23 dez. 2005. Seção 1, p.28.

______. Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002. Dispões sobre a Língua Brasileira de Sinais – Libras e dá outras providências. Diário oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Legislativo, Brasília, DF, 25 abr. 2002. Seção 1, p. 23. 

______. Lei nº 12.319, de 1º de setembro de 2010.  Esta Lei regulamenta o exercício da profissão de Tradutor e Intérprete da Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS e dá outras providências. Diário oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Legislativo, Brasília, DF, 1° de setembro. 2010.

______. Secretária Educação Especial. Diretrizes nacionais para a educação especial na educação básica. Brasília: MEC, SEESP, 2001.
 
______. Declaração de Salamanca e linha de ação sobre Necessidades Educativas especiais, Brasília: CORDE, 1994.

CAS (Centro de Capacitação dos Profissionais da Educação e de Atendimento às Pessoas com Surdez. Curso de Capacitação para Intérpretes. Goiânia, Go.: Secretaria de Estado da Educação, 2010.

CAS (Centro de Capacitação dos Profissionais da Educação e de Atendimento às Pessoas com Surdez. Curso de Forrnação para Surdos, módulo I. Goiânia, Go.: Secretaria de Estado da Educação, 2010.

GOLDFELD, Márcia. A Criança Surda: linguagem e cognição numa perspectiva sócio-interacionista. São Paulo, SP: Plexus, 1997.

FRIZANCO, Mary Lopes Esteves; HONORA, Márcia. Livro ilustrado de língua brasileira sinais: desvendando a comunicação usada pelas pessoas com a surdez. São Paulo: Ciranda Cultural, 2009. 
 
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MARQUES, Rodrigo Rosso. Educação de Jovens e Adultos: Um Diálogo sobre a Educação e o aluno Surdo.  In: QUADROS, Ronice Müller de (Org.). Estudos Surdos II. Petrópolis, RJ: Arara Azul, 2007.

NICOLOSO, Silvana; SILVA, Soélge Mendes da. Lendo sinalizações em Libras: onde está o sujeito? In: QUADROS, Ronice Müller de; MARIANE, Rossi Stumpf
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QUADROS, Ronice Müller. Situando as Diferenças Implicadas na Educação de Surdos: inclusão/exclusão. Revista Ponto de Vista, Florianópolis n. 05, p. 81-111, 2003.

SILVA, Vilmar. Educação de Surdos: Uma Releitura da Primeira Escola Pública para Surdos em Paris e Congresso de Milão. In: QUADROS, Ronice Müller de (Org.). Estudos Surdos I. Petrópolis, RJ: Arara Azul, 2006.

SILVA, Vilmar. As Representações em ser Surdo no Contexto da Educação Bilíngue. In: QUADROS, Ronice Müller de (Org.). Estudos Surdos III, Petrópolis, RJ: Arara Azul, 2008.

Site: http://members.fortunecity.com/ailgp/codetxt.htm (acesso em 24 de março de 2009).
Alunas que escreveram os planos de aula sob a orientação da professora Núbia: Wanessa e Magda. As outras duas não assinaram.



 





2 comentários:

  1. Parabens pelo blog, Adorei!

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    1. Estou sem tempo para postar novos artigos, mas em breve vou estar postando meu último trabalho da minha pós-graduação, depois confiram. Agradeço muito por todos que têm me visitado.

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